Senhor,
deito-me na cama
coberto de sofrimento,
e a todo o comprimento
sou sete palmos de lama:
sete palmos de excremento
da terra-mãe que me chama
Senhor,
ergo-me do fim
desta minha condição,
onde era sim, digo não,
onde era não digo sim;
mas não calo a voz do chão
que grita dentro de mim
Senhor,
acaba comigo
antes do dia marcado,
um golpe bem acertado,
o tiro de um inimigo...
qualquer pretexto tirado
dos sarcasmos que te digo
Miguel Torga
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