segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Beijo (Alexandre O'Neill)


Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo,
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de desejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill

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